sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Incineração
 A prática de empilhar resíduos e atear fogo ao ar livre é um
costume que vem de vários séculos. Esta atividade visava principalmente
evitar que a parcela orgânica do lixo entrasse em decomposição,
propagando vetores como ratos, baratas, moscas, além do mau-cheiro.
 Com o crescimento das cidades e o estabelecimento dos serviços de coleta do lixo esta prática tornou-se inadequada, devido aos
incômodos causados às vizinhanças e aos danos provocados ao meio
ambiente. Entretanto, é bastante comum verificar nos dias de hoje a adoção
deste procedimento, principalmente na zona rural e na periferia das cidades,
onde os serviços de coleta de resíduos se mostrem deficientes (LIMA,
1986).
 Já há algum tempo, principalmente nas grandes metrópoles,
em que a existência de áreas para a construção de aterros sanitários é cada
vez mais escassa, a incineração vem sendo apontada como uma das
alternativas de tratamento de resíduos sólidos.
 A incineração de resíduos consiste na sua combustão,
controlada através de equipamentos especiais denominados incineradores;
ela é considerada um método de tratamento de resíduos sólidos, semisólidos
e líquidos.
 Basicamente, a incineração consiste num processo de redução
de peso e volume do lixo. Os remanescentes da queima são geralmente
constituídos de gases, como o anidrido carbônico (CO2), o anidrido
sulfuroso (SO2), o nitrogênio (N2), o oxigênio (O2) proveniente do ar em excesso que não foi queimado completamente, água (H2O), cinzas e
escórias constituídas de metais ferrosos e inertes, como vidro e pedras.
 A escória, geralmente da ordem de 15 a 20% da massa original
do lixo, deve ser encaminhada para um aterro sanitário, e a sucata de ferro
pode ser reciclada.
 Quando a combustão é incompleta, os gases, principalmente o
monóxido de carbono (CO) e partículas (fuligem ou negro de fumo)
exercem forte ação poluidora na atmosfera. Portanto, é imprescindível que 36
os incineradores modernos contem, além da câmara de combustão, com
equipamentos complementares, como filtros destinados ao tratamento de
gases e agregados leves resultantes da combustão dos resíduos (CETESB,
1985).
 Outro aspecto importante a ser considerado na instalação  de
incineradores é a possibilidade da recuperação do calor gerado no processo
da queima dos resíduos.
• Partes constituintes de um incinerador
 Os órgãos responsáveis pelo controle da poluição ambiental
têm aumentado, cada vez mais, as exigências relacionadas à minimização
dos impactos negativos gerados nos processos de tratamento e destinação
final de resíduos sólidos, principalmente no que diz respeito a instalações
de incineradores. Essas exigências visam a impedir que as experiências
desastrosas com usinas de incineração em várias partes do mundo se
repitam aqui, principalmente aquelas envolvendo resíduos industriais.
 Para que uma usina de incineração opere com sucesso, uma série de informações a respeito dos resíduos a serem incinerados deverão
direcionar o projeto. Entre elas incluem-se:
 - tipo, quantidade e composição dos resíduos a serem
incinerados;
 - poder calorífico inferior (PCI), que indica a quantidade de
calor liberado por uma determinada quantidade de resíduos durante o
processo de queima;
 - quantidade de ar necessário para a combustão completa dos
resíduos; 37
 - quantidade e natureza das cinzas, eventualmente geradas no
processo etc.
 O desconhecimento dessas e de outras variáveis, pode resultar em projetos equivocados, dificultando o controle, a operação e a
manutenção do equipamento, além de aumentar os riscos de poluição do
meio ambiente. Equipamentos com essas características têm sido fechados
em vários países do mundo, gerando formidáveis prejuízos aos cofres
públicos, em função do seu elevado custo. A Figura 7 ilustra um
incinerador utilizado para a combustão controlada de resíduos sólidos
urbanos nos Estados Unidos e seus principais componentes.

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